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Entrevista

23/01/2018

“A meta é o homem”

Perto de completar 70 anos, Arnaldo Baptista fala sobre arte, ciência, LSD, internet, a neta que mora em Israel e  claro  sua obsessão permanente por amplificadores valvulados

Jotabê Medeiros


Este é o ano em que o louco completa 70 anos. No dia 6 de julho de 1948, nascia em São Paulo o cantor, multi-instrumentista, compositor, escritor e artista plástico Arnaldo Dias Baptista — filho da pianista, concertista e compositora Clarisse Leite Dias Baptista e do jornalista, poeta e cantor lírico César Dias Baptista.

Estudante de piano clássico, jazz e balé, e dominando línguas como russo, alemão e inglês, Arnaldo Dias Baptista estaria predestinado a bagunçar os anos da infância do rock brasileiro. Entre 1961 e 1967, o rebelde mais indomável da nossa música encabeçou bandas pioneiras como Wooden Faces, Sand Trio, Six Sided Rockers e O Konjunto. Mas foi com o grupo tropicalista Os Mutantes, que criou com o irmão Sérgio e Rita Lee, que ele alargou para sempre a fronteira da música pop.

Em 1974, com o disco solo Loki? (1974), dinamitou mais uma vez as estruturas do rock, erguendo novos parâmetros para o gênero. De lá para cá, as coisas que produziu (livros, exposições, parcerias, turnês, recitais) passaram a gestar frutos em outras esferas da cultura pop. Em 1993, quando veio ao Brasil, Kurt Cobain, do Nirvana, revelou a influência que tinha do ex-Mutante. “Arnaldo, tudo de bom para você e cuidado com o sistema. Eles te engolem e cospem fora como o caroço de uma cereja marrasquino”, escreveu o roqueiro. Outros ídolos internacionais chegaram até aqui em busca do brilho da estrela que viram explodir lá nos anos 1960 e 1970: Sean Lennon, Tame Impala, Beck, David Byrne, Radiohead, Stereolab, Tortoise, High Lamas, Wondermints.

Hoje avô de Sasha, de 5 anos, que mora em Jerusalém, e vivendo entre um apartamento em Belo Horizonte e um sítio em Juiz de Fora, no ritmo que elegeu como o único razoável para observar e refletir sobre os desvãos da humanidade, Arnaldo tirou um dia de sua concentração para falar à Helena.

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   Divulgação Arnaldo Baptista/André Burian

 O maestro Rogério Duprat disse uma vez que quase tudo que foi feito na música brasileira de 1967 em diante tem a sua influência. O que você acha disso?
É, pode crer, é bem ele. Tenho a impressão de que ainda estou numa época de pesquisa, do quanto sou influente na música e no status de tudo. A prova disso é que não consigo fazer show hoje em dia porque não existe PA com amplificador valvulado. Mas até eu explicar a diferença... É uma coisa que fica meio em hipótese, né? Então estou fazendo uma coisa agora no sentido de “comprartrilhar” — para compartilhar tem que “comprartrilhar”. Estou tentado organizar um clube de possuidores de amplificadores valvulados. Para mostrar que, se eu falo de amplificador valvulado, não falo de uma aurora boreal. A pessoa vai lá, aumenta o volume e vê a diferença. Tem que ter um clube, fica mais fácil assim.

Você não costuma arredar o pé de suas convicções, certo?
É tão difícil. Às vezes eu penso: “Onde vou parar com essas coisas todas?”. Sempre vejo o que é o mais que perfeito, no sentido de o que pode ser feito e o que é impossível de conseguir. Vou levando a vida do jeito que eu consigo, né?

Ainda assim, você foi da música para a pintura como se uma fosse extensão da outra, com naturalidade. O que foi mais influente para você: a música ou a pintura?
Tenho impressão de que é um lado que envolve a pesquisa, novamente eu entro nesse sentido. Penso que a arte clássica é uma coisa muito mais antiga que a música. A música clássica, desde Bach, tem uns 500 anos mais ou menos. Já a arte clássica das cavernas tem uns 500 mil. É diferente o lado que influencia. Pode ser que a arte clássica tenha nos influenciado por ecos dos mamutes, dinossauros, até essas coisas pequenas, em função do que a gente vê hoje em dia, de automóveis, Fórmula 1. Então, a gente vai levando assim.

Falando em automóveis, você já antevia muitas décadas atrás a chegada dos carros elétricos. O que acha que ainda vem por aí?
Em função do que a gente pode possuir, é uma coisa bem difícil. Porque o lance de automóveis elétricos é tão profundo... Eu, por exemplo, lembro que, quando era pequeno, no lugar onde morava, na Pompeia (zona oeste de São Paulo), tinha uma estrada de ferro, com trens. E lá eu vi uma máquina híbrida, diesel e elétrica. Dentro dessa máquina, de dezenas de toneladas, havia um motor diesel que fazia girar um dínamo que produzia eletricidade para os motores, que levavam a máquina adiante. Isso há uns 50, 30 anos. Hoje em dia falam de automóveis híbridos e é a mesma coisa, né? Então podemos ir adiante no sentido de a fórmula elétrica usar a as células fotovoltaicas para tirar eletricidade do Sol.

Você publicou um livro, Rebelde entre rebeldes. Mas tem vários outros inéditos, não? Por que prefere ficção científica?
Tenho alguns livros, sim. É interessante isso. No sentido de ficção, é importante fazer uma investigação. Você não pode dizer que eu peguei e saí voando, batendo asas. Tem que ser científica. É a oportunidade para a pesquisa, que pode achar uma explicação até para o lado que a humanidade falha hoje em dia, segundo eu penso, o lado que a gente consegue eliminar. Hoje em dia fazem trens que vão levitando acima de ímãs. Podemos eliminar o que atrai a carne, a gravidade terrestre. Assim, a gente podia ir adiante, ultrapassar e velocidade da luz e fazer viagens para o passado até, se a gente alcançar os fótons.

E, caso se conseguisse essa proeza de viajar no tempo, para qual período você gostaria de voltar?
Ah, interessante a pergunta. Um período que eu gostaria de visitar seria a época da crucificação de Cristo. Digamos que eu conseguisse me locomover até lá. Conseguiria ver a profundidade que os milagres possuem, pelo lado da ciência. Por exemplo: a estrela de Davi ser um satélite artificial. Coisas assim. Talvez Cristo até soubesse coisas a respeito dos grávitons, hibernação. Uma coisa que talvez eu conseguisse falar com ele a respeito, que eu acho importante, é sobre criogenização. Cristo fez isso. E nesse sentido a gente hiberna e acorda quando quiser.

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   Divulgação Arnaldo Baptista/André Burian

Como isso acontece? Pode explicar melhor?
Eu imaginei uma fórmula: T = M > C. T é o tempo, que é igual à massa acima da velocidade da luz. Eu me criogenizaria para alcançar um tempo onde já tivessem ultrapassado a velocidade da luz. Mas é uma hipótese, ficção científica. C é a velocidade da luz na Física. Eu soube disso lendo o Timothy Leary. Li um livro dele chamado Projeto para morrer. Aí escrevi para o grupo que tem essa pesquisa em criogenização lá nos Estados Unidos. Eles até me ofereceram um emprego lá, para eu trabalhar. Naquele momento eu não quis, mas eles estão lá, em São Francisco. Lá por aquelas bandas.

Você menciona São Francisco, e foi lá onde mais se acreditou numa experiência de alargamento da consciência por meio das drogas, do LSD. Mas também por meio da meditação, da ioga. Você acha que aquela geração conseguiu?
Se a gente entrar fundo na consciência, existe uma coisa que distingue o ser humano em função da experiência e do contato que ele possui com essa energia cósmica. Muitas vezes a pessoa pega uma viagem de LSD, de psicotrópico, de cogumelo e entra em contato com essa coisa. Então passa a ser uma experiência importante para a humanidade, no sentido de evolução. Mas só se ele conseguir transformar isso em coisas possíveis. Não só em fatos de pesquisa, de escrever bíblias por aí.

Por falar nisso, Roger Waters, que foi baixista do Pink Floyd, vem aí com seu show. Você gosta de Pink Floyd e eu pergunto: na sua opinião, qual deles é mais importante, Roger, David Gilmour ou Syd Barrett?
Pink Floyd explica, não Freud (risos). É algo que envolve mais o ego geral do conjunto, mas eu tenho a impressão de que o Syd Barret é o mais importante.

Justamente porque era o que mais acreditava nessa perspectiva do alargamento da consciência, não?
Exato. A mente é que nem um pasto para a gente semear. Algumas mentes produzem coisas boas para a semeadura. Algumas poucas.

Quando fala de literatura, Bob Dylan menciona muito autores clássicos, como Herman Melville, Daniel Defoe. Quais são os que fizeram sua cabeça?
Me apoio em autores de ficção científica, tipo Ray Bradbury. Me apoio em literatura clássica também, em Alexandre Dumas. Então faço uma espécie de balanço entre esses dois lados. Mas uma coisa interessante que aprendi no balé e na música é não ter um estilo. Voar, mas sem se prender a lastros.

Você menciona balé, que é uma novidade para mim. Você aprendeu balé?
Estudei algum tempo. Uma coisa aprendi com a Isadora Duncan. Eu tentava clássico, jazz, música artística, expressão corporal... E nunca me encontrei em um estilo que me levasse adiante. Até que optei: meu negócio era sem estilo, à vontade. A Isadora Duncan já falava a respeito disso.

Mesmo com toda essa liberdade, o fato de seus pais serem ligados à mú- sica clássica e você mesmo ter estudado foi importante, não?
Puxa, muito importante. Comecei a aprender desde criança o que era uma quinta. Papai era cantor de ópera. Era uma coisa que fazia parte do corriqueiro na mesa. Mamãe estudando piano, papai cantando. Papai era gozado, tinha um modo totalmente independente de ser. Ele escrevia discurso para o Adhemar de Barros, que era médico formado. Mas ele só tinha cursado até o quarto primário. Era autodidata, algo importantíssimo no modo dele ser.

Por que ser autodidata é importante, em sua opinião?
Por exemplo, quando eu estava escolhendo entre o clássico e o científico, nos estudos, pensei: “Vou querer ser advogado, então devo estudar clássico. Vou querer ser físico, então é científico”. É muito difícil você pegar uma coisa escrita e estipulada pelas leis vigentes. Eu prefiro o lado ad libitum, como falam na música, à vontade [ad libitum é uma expressão latina usada como notação para indicar ao intérprete que este pode suspender o andamento indicado originalmente e variar livremente o tempo como bem desejar durante o período determinado, não podendo, porém, alterar as notas].

O artista assim orientado poderia modificar certas relações sociais, não?
A respeito disso, tem um lado importante. Uma vez fui até Brasília pedir um favor ao Gilberto Gil, que era ministro da cultura. Dei o papel com o pedido e ele disse: “Arnaldo, eu sou o ministro, mas eu não sou o ministério”. Então é tudo relativo esse lado de poder, né?

Você foi pai. Tem um filho, Daniel. Onde ele anda e como é o Arnaldo pai?
Ele é filho de uma bailarina húngara e israelita. Foi para Hungria estudar música na universidade, mas não conseguiu, não deu certo. Ele voltou para Israel e agora está lá, de bata, com barba. E tem uma filha. Eu tenho neta, né? Sasha. Quantos anos tem a Sasha? Cinco. É bonitinha, tem os olhos azuis, uma boneca. Ela mostra que está tocando piano e violino. Está aprendendo, mas toca. Piano é o meu instrumento predileto. Fico brincando com ela pela internet, por Skype. Mas a gente está muito longe, talvez um dia a gente se encontre. Eles vivem em Jerusalém.

Há anos se lê que você está fazendo um disco novo, Esphera. Que nunca sai. Há de fato algum plano de lançar esse disco?
Sempre que me perguntam, pergunto para a Lucinha [Lúcia Barbosa, mulher do cantor]. Ela fala o seguinte: “Isso é para quando Deus quiser, não tenho a menor ideia”. Ela me apoia nessa coisa. Mas eu vou levando, tenho gravado. Os 70 anos que vou completar agora são uma espécie de marco na minha personalidade. Mas não tem nada planejado. Não tem nada premeditado, a gente não está planejando nada.

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   Divulgação Arnaldo Baptista/André Burian

Você é muito famoso nas redes sociais. Tem facilidade com isso. E uma estatística mostra que 87% dos seus seguidores têm entre 17 e 34 anos.
Sim, tenho. É uma coisa interessante isso. Às vezes penso que é porque tive um renascimento, passei por uma segunda infância. Mas atualmente estou atingindo mais gente de pouca idade que antigamente. Nos shows, a Lucinha vai na frente e pergunta quantos anos as pessoas têm. Muitas vezes eles nem eram nascidos quando os Mutantes estavam tocando. Ah, isso é maravilhoso! Por falar nisso, vi o show do Paul McCartney em Belo Horizonte, fabuloso. E tinha uns fogos de artifício maravilhosos. Todo mundo cantava aquela música do James Bond, “Live and let die”.

Você acha que o Paul McCartney hoje é uma extensão natural daquilo que os Beatles foram? Ou é outro músico totalmente diferente?
Acho que sim, que... Não gosto dos instrumentos que ele usa, não gosto dos amplificadores que ele usa. Mas ele consegue com aquilo fazer Beatles. Ele não faz aqueles shows tipo Hendrix, Jack Bruce. Faz uma coisa mais pacata, romântica. Inclusive achei lindo que uma hora ele rebolou, foi tão sexy. Envolve tantas coisas, né? Os Beatles eram como se fossem uma pessoa só, mas tinham ideias diferentes entre um e outro. É importante isso. No sentido de criatividade, de poesia, de filosofia.

Certa vez você batizou uma exposição sua como Transmigração. Que é um conceito indiano, da alma que, após um tempo no mundo dos mortos, volta a animar outros corpos de homens e animais.
Essa ideia veio para mim através da minha mãe, que falou algo que ficou na minha cabeça. Ela era um pouco espírita. E disse: “Existe gente que não incorpora a alma totalmente e fica em transmigração”. É assim que ela definia. E tem o lado indiano também, que é importante. Acho que é quase a mesma coisa.

E o seu pai? Ele tem alguns livros inéditos, não? Coisas que você já falou em reeditar.
Exato. Diariamente, ele escrevia uma poesia, que publicava no jornal O Dia. Então ele fazia esses livros muito em função disso. Tem um que chama Amanhece o dia, que são pequenos extratos das matérias que ele escrevia no jornal. Mas ele também escreveu romances, tipo um que chama-se Romance sem palavras. Outro que se chama A vida e a morte do maestro João Gomes. Os outros não lembro.

Nenhum jamais foi editado?
Não, o Amanhece o dia foi uma vez. Lembro que foi difícil para o papai editar. Ele editou no jornal O Dia, que pertenceu ao Adhemar de Barros. Editou o livro e botou no porão de casa, ficou lá. Centenas de livros estragando. Acho que é melhor evitar fazer isso.

Você é vegetariano. Quando foi a última vez que comeu carne?
Acho que foi há 30 anos. No sentido de alimentação, não me senti pior parando de comer carne. Faço os mesmos exercícios e estou com a mesma saúde que tinha quando comia. Então acho que seria bom o pessoal tentar essa opção de não matar os animais para comer. É uma coisa tão raízes, né? Tem filosofia que é tão difícil mudar. Às vezes penso que o dente canino é uma involução genética humana. Que faz a gente lembrar de tigre de dente de sabre, do tiranossauro rex. São coisas que mudam. Hendrix disse uma vez: “Cheguei do espaço e vi aqui na Terra uma maldição”. Queria dizer que a gente estava na Idade do Fogo, tudo era a Terra queimando, para pegar energia de outras coisas. Então a gente está no apogeu dessa idade. Em vez de usar eletricidade, eles fazem a queimada energética que polui. Acho que é uma espécie de maldição. Mas depois o Hendrix falava: “Vamos mudar, vamos queimar outra coisa”. Era o Hendrix, né? (risos).

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   Divulgação Arnaldo Baptista / Reprodução Facebook

Quanto à pintura, uma vez você mostrou seus cadernos, que pareciam ser a origem dos trabalhos. Ainda os usa como ponto de partida?
Comecei assim. Hoje vou para a tela direto. Acho que, nas artes plásticas, se você tem um lápis e um papel, você pode fazer um quadro maravilhoso. Mas com a música é muito diferente, você tem que ter o instrumento, tem que fazer por etapas, montar. Não é totalmente igual. Mas talvez, no fim, seja tudo na nossa mente.

Outro dia você estava dando uma entrevista para um jornal inglês, não sei se era o Guardian, nos jardins do museu Inhotim, de arte contemporânea. Você gosta daqueles trabalhos?
Sim, gosto muito. Inclusive é uma coisa que tenho esperança de um dia fazer parte. É tão longe e difícil de alcançar, mas muito bonito. Talvez algo ali, entre tantas coisas enormes, tantas árvores, talvez eu construísse uma sala lá. Não sei, vamos pensar a respeito.

Talvez algo com algum princípio de ficção científica?
Sim. Uma sala para levitação. Sabe, eu não tenho ideia do que vai acontecer no futuro. Naquela época dos Mutantes, eu tentava pesquisar o contrabaixo, o amplificador Giannini, o órgão Diatron... Então eu ficava sempre experimentando, sem ter consciência do quanto era importante naquele momento. E hoje é a mesma coisa. Não sei se vai ter resultado, mas tenho a maior esperança. A meta é o homem.

Um outro conceito que você trabalhou numa exposição de artes visuais foi o do exorealismo. O que pretendia com isso?
Exo tem a ver com êxodo, tem a ver com fora. Então exorealismo é uma coisa que não é surrealismo. Exorealismo é uma coisa que envolve o exterior, um astronauta, uma banda de um outro planeta. Isso é que tem a ver com exorealismo. Um monte de pessoas faz parte desse clube. E é um título, assim como tem outros títulos...

Quando você fez o disco Singin’ alone, tocando sozinho todos os instrumentos, cantando sozinho, você chegou à conclusão que não gostava do trabalho em uma banda?
Parece que sim. Mas o disco envolvia os dois lados. Sempre que tinha uma banda, eu não gostava de um lado. Sempre quis ser sozinho, mas nunca foi possível. É muito difícil a gente gostar totalmente de uma pessoa, então prefiro ser eu comigo.

Mas ainda assim você trabalhou coletivamente, quando o John Ulhoa, do Pato Fu, gravou com você e outros colaboradores [o disco Let it bed, 2004]. Você ainda tem problemas com bandas?
Ah, não tenho... Aliás, eu tenho. Minha experiência com os Mutantes foi catastrófica. Porque não consegui explicar para o Sérgio que eu não queria amplificadores digitais e ele não entendeu. Não gostei disso.

Acha possível fazer a música que quer com as condições que você exige?
Tento no meu pedaço aqui. Vou citar uma coisa importante que aconteceu em São Paulo. Fui na casa de um audiófilo. Ele fez uma coisa que eu planejava fazer, mas nunca fiz. Ele foi a todos os cinemas desativados que tinham os melhores alto-falantes da Terra e comprou todos. Depois, botou tudo em amplificador só valvulado. É uma maravilha aquele som. Ele até comprou o apartamento de baixo para o vizinho não reclamar do volume. Existe uma essência na válvula que é profunda, que pouca gente consegue perceber.

 

Jotabê Medeiros é jornalista e escritor. Foi repórter, crítico e editor em veículos como O Estado de S. Paulo, Veja e Folha de S. Paulo. Publicou os livros O bisbilhoteiro das galáxias e Apenas um rapaz latino-americano (biografia do cantor Belchior).

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